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O AGORA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Comentário sobre a IA-PJ

  • Foto do escritor: Luiz  de Campos Salles
    Luiz de Campos Salles
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

O artigo abaixo não sé sobre dois fofos como os acima. Mas tem a audácia de discordar do autor de SAPIENS numa entrevista que ele deu a Luciano Huck.

 

Yuval Noah Harare, o brilhante autor de Sapiens, há muito tempo manifesta preocupações sobre os riscos da Inteligência artificial para a humanidade. Em entrevista recente a Luciano Huck, ele ilustrou sua inquietação com um cenário específico: o de uma IA transformada em pessoa jurídica autônoma e tudo de nocivo que isso poderia acarretar.


O que Harari, porém, deixa de considerar é que muito mal já é feito por pessoas jurídicas administradas por seres humanos de carne e osso — basta citar o caso do Banco Master como exemplo recente e eloquente.


Do ponto de vista técnico, o conhecimento e a competência para criar uma IA capaz de se comportar como uma PJ já existem, e não deve demorar muito até que tal entidade seja de fato constituída. Se os seus criadores incorporarem nos guardrails o respeito irrestrito às leis do país em que opera, essa IA-PJ tende a ser uma cumpridora mais rigorosa das normas do que a maioria das inteligências humanas — as IHs, por assim dizer.


O risco real reside no outro lado da equação: se os humanos responsáveis pelo seu desenvolvimento tiverem inclinações criminosas — treinando, por exemplo, uma IA-PJ para funcionar como empresa de fachada para lavagem de dinheiro — o instrumento se torna tão perigoso quanto o seu criador. Nesse caso, a IA-PJ poderia, em tese, ser processada judicialmente e condenada ao pagamento de multas.


Sua limitação fundamental, contudo, permanece irônica e reveladora: ela simplesmente não pode ser presa.

 

 

 
 

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