A maçã, Newton e a curiosidade humana


Imagem de Sir Isac Newton ainda jovem
Qual é a estória real sobre Newton e as leis sobre a matéria. A lenda diz que ele descansava sob uma macieira quando uma maçã caiu na sua cabeça e isso gerou uma curiosidade na sua cabeça: por que ela caiu?
A maçã existiu, mas não caiu na cabeça de Newton. Quem contou a história foi o próprio Newton, já idoso, a amigos. A pergunta que o intrigou não foi “por que ela caiu?”. Todo mundo sabia que as coisas caem.
Do insight à teoria foram cerca de 20 anos. Ele fez um cálculo inicial comparando a queda da maçã com o “cair” da Lua em direção à Terra. A conta bateu só aproximadamente, e ele engavetou o assunto. Só em 1684 retomou o tema, provocado por uma pergunta do astrônomo Edmond Halley: que órbita teria um planeta atraído por uma força que diminui com o quadrado da distância? Newton respondeu que seria uma elipse, e que já tinha calculado isso.
Newton também ilustra o lado “não instrumental” da curiosidade. Ele passou décadas em alquimia e teologia, com o mesmo fervor, sem retorno prático. A curiosidade humana não se distribui de forma eficiente, e talvez seja por isso que encontra o que ninguém procurava.
E o que é a curiosidade na inteligência artificial? Existe?
Sim, mas de outra forma.
A IA pode explorar, mas não sai do zero sem a curiosidade humana que move a ciência e não é só busca de novidade. É uma inquietação de alguém que tem algo em jogo: escolhe a pergunta, insiste nela contra o consenso, por anos, sem que ninguém peça.
Na IA, mesmo a “curiosidade” é um objetivo que um humano definiu. A pergunta original continua sendo nossa.