Elon Musk, chimpanzés e quem vai mandar no mundo

Numa entrevista de mais de uma hora para a editora-chefe do The Economist, Elon Musk soltou várias frases com a confiança de sempre. Duas delas merecem uma segunda leitura.
1. IA, humanos e chimpanzés: quem manda?
Perguntado se a IA vai superar a inteligência humana, Musk disse que sim.
Prazo estimado: uns 5 anos.
Aí veio a pergunta óbvia. Se isso acontecer, quem manda no mundo?
Musk respondeu, meio de brincadeira, que os chimpanzés têm mais chance de assumir o comando do que a gente.
A lógica seria essa: se a diferença de inteligência entre IA e humanos for maior que a diferença entre humanos e chimpanzés, não faz sentido esperar que os humanos continuem mandando.
A conta não fecha.
Exemplo simples. IA = 150, humano = 100, chimpanzé = 60.
Diferença entre IA e humano: 50. Diferença entre humano e chimpanzé: 40.
O chimpanzé não está mais perto da IA do que o humano está. É o contrário.
Tem um detalhe a mais. Na fala original em inglês, Musk compara a diferença entre IA e humanos com a diferença entre IA e chimpanzés, não entre humanos e chimpanzés.
Só que assim o problema fica pior ainda. Como o humano é mais inteligente que o chimpanzé, a distância entre IA e humano sempre vai ser menor que a distância entre IA e chimpanzé. Nunca maior.
Do jeito que ele mesmo formulou, a comparação não fecha matematicamente de nenhuma das duas formas.
2. Quem vai controlar a IA?
O segundo ponto é mais sério.
Enquanto governos discutem regulação, Musk propõe outra coisa.
A ideia dele é que as próprias grandes empresas de IA se reúnam de tempos em tempos, sempre que alguma delas, usuários ou o poder público apontarem um comportamento perigoso, para decidir o que fazer.
Ou seja, quem cria o produto também seria quem decide se o produto é seguro.
Parece ingênuo esperar que concorrentes, com bilhões de dólares em jogo, se autorregulem de forma eficaz.
A estória de outros setores não anima muito nesse quesito.
Abaixo, link da entrevista na íntegra, não perca!